Quarta-feira, Julho 15, 2009

Dia do Homem




Uma data curiosa o dia do Homem. Quando li apenas o título da matéria, julguei de imediato, tratar-se do dia dedicado à Humanidade. Segui o ímpeto de pesquisar para divulgar largamente a data e sua importância. Surpresa!

É realmente o dia dedicado ao homem nosso de todos os dias. Entre risos, incertezas e muitos pontos de interrogações, prestamos uma homenagem no rádio. Afinal, faz parte do jornalismo contar a história e os fatos desenvolvidos pelas criaturas de Deus nascidas tanto na condição homem como na de mulher.


É claro que não estou "curtindo" com a figura masculina. Quando penso homem, lembro o meu pai, com quem sempre mantive uma relação de respeito e admiração mútuos.

Trate bem o seu homem. A maioria de nós mulheres ouvimos o conselho ainda pequenas. Conselho, recomendação, que virou prática obrigatória, infelizmente para muitas mulheres que vivem sob o jugo do medo, arma usada ainda por alguns machos.


Contudo, interpreto o tratar bem como fazer alianças, combinações para uma vida comum com os seus altos e baixos.


Terça-feira, Julho 14, 2009

Gratidão


Experienciar a gratidão é fundamental. Quando se agradece o sorriso para a vida é acolhedor. Tenho dois lados que o sorriso enaltece e disfarça: abro os lábios para colorir o cumprimento do dia-a-dia, para abraçar os que amo; e encubro o cenho franzido diante das dificuldades.


O diabo é que sou distraída demais para me dar conta da beleza do mundo. O azul, que denota um ceu profundo, como a natureza. As aves cúmplices da força da gravidade; o caminho pretencioso e ao mesmo tempo sábio dos rios.


Diante de tudo, continuo pequena e teimosamente irrequieta. Ah, euzinha...

Sexta-feira, Julho 10, 2009

Pelo diploma




O grito dos diplomados tapa a aclamação dos sem diploma. No rádio, a coisa tá angustiante há muito mais tempo. Os sem diplomas ocupam espaço nosso . Na Tv, é um tal de cara bonita, cabelos caprichados, maquiagem. Tudo tem que estar no ponto, menos o diploma. Pra que este papel timbrado, quando o que importa é presença?




Pois é, assisti quase impassível a festa dos sem diplomas, desfilando bem a minha frente numa alegria que só o grupo sentia. E agora, a exigência virou Proposta de Emenda Constitucional. Pois sim, vamos aguardar.






Quinta-feira, Julho 09, 2009

Nó sem velas



Nada mais confuso do que mensagem incompleta. A consideração vem a propósito da confusão que se faz com a imagem do povo hindu. Até agora, o que se aprende é que a mulher continua sendo constrangida a obedecer um costume tradicional; que a vaca é uma figura alegórica da mãe, de acordo com a explicação de um dos personagens da novela Caminho das Índias, porque alimenta o homem com o leite.


A mulher rica é preparada para ser linda, cheirosa, coberta de cremes e de jóias. Tem que procriar, cozinhar e dançar. O homem que gera homens tem mais lucros com os casamentos. Ou seja, ter filhos é melhor do que ter filhas. As que estão a margem da casta privilegiada negam-lhe até a fé em Deus.


As mulheres brigam, disputam entre si numa intriga sem fim. Cismo o pensar de que os costumes se misturam e confundem mais ainda a cabeça nossa. É lamentável a forma como nos é apresentada a cultura do povo da Índia. De bonito até agora os adereços, os panos coloridos, os brincos enormes, que as brasileiras exibem numa alusão erótica da mulher, que necessita de marido.


De frente à telinha, fico cada vez mais ignorante. O caminho,na verdade é um atalho.


Quarta-feira, Julho 08, 2009

Exame




Estou fora de muitos sistemas que a sociedade incorpora, plano de saúde é um deles. Já paguei exorbitâncias por alguns planos e até penso em retornar ao quadro de associados. Contudo, quando digo os números de vida terrena, a coisa fica desigual.




Vivo sendo "sorteada" pelo telefone para retornar ao sistema seguro de saúde - dizem que na minha idade (54) é bom prevenir, ter consultas com mais frequência e um internamento hospitalar garantido. Ao lançar os olhos no futuro próximo, o cenho se franze diante das dificuldades nossas para conseguir um leito em um hospital. E se não tiver plano...




Logo mais me submeterei a uma mamografia. Não estou preocupada, tá no preço que posso pagar, mas com relação aos outros, como ficaria diante de uma necessidade urgente?




Quando leio a respeito do Sistema Único de Saúde vejo o "primor" da acuidade de quem projetou a idéia. Simplesmente perfeito para atender a todos. Mas, idéia boa nem sempre chega ao cume do sucesso. Estou num período assim: uma mulher sem planos (de saúde) querendo ter saúde longa e um período de vida mais distante ainda dos hospitais.


Terça-feira, Julho 07, 2009

O eco do ECA



Quando menina não conhecia os meus direitos. Sou de um tempo em que a boa infância era viver de acordo com o pensamento dos pais, a forma como eles viam o mundo - não muito diferente de hoje - mas com a diferença de que criança não emitia opinião. Ou seja, falava quando era estimulada para isso para responder questões do tipo qual é o seu nome? quantos anos você tem? Passou de ano?


Na maioria das vezes, criança nos anos 50 e 60 seguia um rotina imutável de comer tudo para ganhar sobremesa, levar palmatória se não estudar; castigo sem sair de casa e nem olhar a rua além da janela; procurar a palmatória para levar uma boa sova...


Direitos garantidos por lei com certeza haviam, mas quem cobrava? Os pais sempre tinham razão em tudo, até quando estavam errados. E quem era besta para dizer o contrário? Hoje, o Estatuto da Criança e do Adolescente é louvado por uma grande maioria e se faz necessário. Mesmo assim, apesar de tudo, nunca fui uma menor abandonada, frequentando ruas como moradia, fora da escola...

Quarta-feira, Julho 01, 2009

No ar






A profissão amadurece ou o profissional? Estava cismando o pensar a respeito dos escândalos, desvios de dinheiro, deslizes de profissionais políticos e políticos profissionais. Lembro como eram bem vindos os equívocos que, rendiam manchetes para os noticiosos em cima da hora. Trabalho em rádio lá dava tempo para questionar a revanche de denúncias!



Em outras mídias, o espaço permitia pesquisas o que aumentava a fome de escrachar a vida do equivocado - permita-me a expressão. Num tempo em que o homem continua cavando buracos para se enterrar, os escritos vêm com pesar.



Hoje, lamento profundamente o exorbitante. Nem sei se era prazer denunciar em grandes letras ou com estardalhaço. Por que e pra que se quem continuam pagando o pato somos nós?

Sexta-feira, Junho 26, 2009

Lugar de estrela é no ceu


O sucesso do artista não é o que mais brilha. O pensar lateja no meu sentir. É a companhia nossa que faz, mesmo sem desconhecer; sem ter idéia de quem seja o fã aflito, alegre, choroso.


Por mais que se entenda pouco o que seja brilhar num palco, diante de uma multidão que acorre ao espetáculo, é bem maior o público que está na marginal. Por isso, a estrela pensa que brilha só. É uma luz que encandeia e faz sombra dentro de si porque o tal sucesso perseguido doi. É sombra.

Hoje estou confusa. Sei que a vida prossegue, assim como sei que a dor persiste.

Terça-feira, Junho 23, 2009

Praia, praeira...


Buscar na memória fatos que servem como base para manter o pensar ativo, causa um certo alvoroço, uma ventania igual a que assistia na adolescência na Praça do Ferreira. O vento levou a paisagem bucólica da minha cidade, que hoje finge não sentir o perfume e a indiferença com os saudosos.


As vezes ter saudade até parece chateação. Mas, a lembrança sentida serve para aguçar o olhar dos que administram nossas praças, ruas, avenidas e lagoas. Ah, aqueles montes de águas límpidas, que os pés descalços desobedeciam os conselhos maternos.


Fortaleza hoje sente a pressão do número de habitantes com suas casas enormes ou pequenas, cercadas por fios elétricos - numa ilusão de segurança - com o mar crespo disfarçando a poluição nem sempre visível. Pois é, o cartão postal faz péssima apresentação da esposa do sol.


Sexta-feira, Junho 19, 2009

Diploma, sim!



Foi no ano de 1976 que vi o meu nome numa relação enorme do Jornal O Povo. Catei com a minha irmã Socorro, o lugar em que eu queria estar. Depois de muitas contas de Josés, Marias e Raimundos, conquistara o vigésimo lugar na seleção da Universidade Federal do Ceará para o curso de Comunicação Social. Eram 42 vagas oferecidas. E estava dentro!


Foi uma festa para comemorar a penitência de três tentativas para, finalmente fazer o curso que a vida toda sonhei. Escapamos - eu e o meu cabelão que ia pelas costas - dos trotes dos colegas e fui firmando amizade com os companheiros de hoje de jornalismo.


Foram quatro anos ralando nas letras, driblando o tempo e desvendando o mistério das frases necessitadas diante de um mundo enorme de fatos que necessitavam ser comuns. Eu não estava nem aí para a não exigência do diploma. Quem iria falar aquilo naquela época que já nos assombrava com a censura?


Hoje, com a segunda via do diploma de jornalismo, a comunicóloga continua com o mesmo T. Pode-se até desvalorizar o que eu conquistei. Mas, isso é coisa minha e não tem preço, não tem decreto.


Quarta-feira, Junho 17, 2009

Diferenças humanas


O que nos diferencia dos missionários é que eles acreditam em nosso crescimento, na mudança já latente em cada self.


O que nos distancia dos missionários é a vontade.

Luz, Doutor Silas Munguba.

Terça-feira, Junho 16, 2009

Antevendo a Copa


A bola vai rolar, mas antes disso, é preciso preparar o tapete verde. Aqui de fora, o preto tem brechas provocadas pelo desgaste. Dizem que o tempo é curto e numa avalanche de afazeres, os trabalhadores cansados cruzam os braços. Pronto! Decretada a greve. Fechamos questão? Não, mesmo!

E eu que de bola nada entendo - só sei que é redonda, mas que na Copa grito igual a todo mundo - ja antecipo o olhar verde e amarelo, curtindo a paisagem das pracinhas que estarão floridas; das ruas e avenidas bem tratadas; do serviço de transporte ampliado; dos postos de saúde e hospitais bem planejados e com equipes de profissionais dispostos e satisfeitos...

É assim que antevejo Fortaleza antes de soltar o grito preso Goooooooool.

Terça-feira, Junho 09, 2009

Tô despeitada


Há dias venho experienciando o despeito. Pensei não mais sentir o tal bicho. Pois não é que me enganei! Ele está dentro de mim, sorrateiro, caladinho, e agora, buliçoso. O diabo é que machuca. É o tumorzinho de margens avermelhadas, doido que alguem dê um cutucão para espalhar a dor.


Como o tumorzinho, muda a cor dos meus dias, e se eu cismar o pensar com vontade serei até capaz de chorar. Ah, mas não vou não! Por que não segurar a minha onda? Pensamento repetido no imo do ser que se sentia descolado, livre do danado do despeito.


A gente envelhece se considerando madura e esquece que o sentir não tem idade. Que despeito!

Sexta-feira, Junho 05, 2009

Cultura da paz


Hoje vivi a experiência da entrevista ao vivo num programa de rádio. Deixei a produção e fui ser a produzida. Foi a oportunidade de mais uma vez defender o que acredito: um rádio sério, comprometido com o crescimento do ouvinte, da comunidade.


Participei do programa apresentado por Marta Aurélia, na rádio FM Universitária, mídia da Universidade Federal do Ceará. Por uma cultura de paz é o sugestivo nome do programa, uma proposta que é exemplo de que rádio é um prestador de bons serviços.

Quinta-feira, Junho 04, 2009

Críticas(?)


Algumas pessoas me perguntam porque neste espaço as críticas que lanço são adocicadas. Senti um certo amargo temperando a indação. Ou seria questionamento? Para alguns não há diferenças. Mas, para mim, indagar é querer saber e questionar é querer saber o porquê.


Considero-me ácida. O tom de voz ajuda a ser acidulante. No entanto, não vejo um efeito benéfico empunhar, apontar e atirar a metralhadora giratória dos dedos, teclando falas e mais falas. É óbvio que critico em busca de uma solução.


Não sei se me fiz entender. Nem sempre o pensar é compreensível. Mas, sei bem o que eu sinto.

Terça-feira, Junho 02, 2009

Insonia



Uma noite insone nenhum cartão de crédito paga. Não tem preço. Um pequeno ser verde, preso ora na parede, noutras escondendo por trás da cortina, quase imperceptível não fosse o som que emitia. Um apito indefinido, sem precisão, mas capaz de me manter em vigília.


À noite, os olhos não chegam a lugar nenhum. É um reduto de sensações mistas disputando a luz, que a penumbra cisma em vencer. Não vejo fantamas, mas os sinto. Rolar na cama com o pensamento fixo no prejuízo de algo. Fica tão mais forte e frequente o pensar.

O latejo da idéia fixa me faz buscar ajuda. Cismo o pensar para o socorro solicitado aos mentores, que não devem ser chamados por confusões minhas por aqui na Terra. O texto encerra a minha conclusão: quanto mais se pede, mais dilapidado o compromisso.

O banho quente depois da mensagem confortadora - para não dizer puxão de orelha- completa o dowload. Vou para cozinha fazer café.


Sexta-feira, Maio 29, 2009

Boa notícia







A boa notícia é que vou continuar tentando fazer o que acredito; sem vacilos, recuando para tomar fôlego e, quem sabe, mais sabedoria.



Quero agradecer de público (chavão) a oportunidade que a Agência da Boa Notícia me permitiu ser uma das ganhadoras do prêmio Gandhi.



Segunda-feira, Maio 25, 2009

Tramas






O "Felizes para sempre" encerra folhetins televisivos. Por que será que esta fórmula continua sendo o repeteco das TVs? Porque não fazer diferente um casal representando a resistência diante das vicissitudes do dia a dia? Enquanto isso, os escritores tentam esquentar a trama com relações a três, numa apologia descarada à traição como um forte argumento para manter a audiência.



Pois é, estou de novo, reclamando da insistência do mau gosto implantado na mídia brasileira. Por que o ruim tem que ser alimentado em busca de torcedores? Acredito que seja possível um feliz para sempre do primeiro ao último capítulo, mostrando a fortaleza da união, que resiste à mudança de humores, apresentando uma crescente humanização nossa.



Quinta-feira, Maio 21, 2009

TV traquina










Confesso que não assisto ao programa do SBT que conta com a participação da garotinha Maísa. Poderia até ficar quieta, sem nada dizer. Mas, como se trata de uma criança, ocupo este espaço cedido, e deixo vir a tona o pensar.

Colegas de trabalho comentaram o ocorrido e muitos deles opinaram que a garota foi realmente humilhada. Por desconhecer o conteudo do programa, questionei sobre a participação de Maísa no ar. Por sua inteligência e rapidez de raciocínio - nem sei se ela ensaia - conquistou o público do programa.

Neste momento, o que considero é o argumento de sempre da mídia, que não se preocupa em respeitar o ouvinte, telespectador e leitor, sob a pretensa idéia de que o povo gosta de lixo.

Esta colocação é que considero verdadeira humilhação. Ninguém gosta de lixo.

Infelizmente, a criança utiliza expressões de adultos para comunicar o seu mundo assediado por interesses, que fogem totalmente da sua compreensão.


Quarta-feira, Maio 20, 2009

Dilma


Dilma Roussef é a brasileira que está na mídia e sofre assédio e reprovações por conta da sua participação ativa na política. Cismo o pensar para o quanto a mulher gera falatórios. A partir de nós mesmas, que alimentamos o mexerico e o julgamento apressado.


Quando Dilma Roussef passou a ser um dos braços fortes do presidente Lula, lembro que recebi um e-mail, contando em detalhes ações da ministra em outros tipos de atividades. Li, pesquisei e esqueci.


Penso que houve um desinteresse com relação à personagem de outrora. Firmo o pensar na mulher de hoje, que corre para o hospital numa luta iniciante contra um dos males que vitimaram inúmeras de nós, neste País.


Além dos adversários "conquistados" com o tempo, Dilma agora trava uma luta quase surda - não a ouvi murmurar - pela saúde afetada. Confesso que fico incomodada com o anúncio de outros pontos numa possível substituição da possível candidata para suceder o presidente.


Penso na mulher disposta, que se expõe aos medicamentos, e acredito que se pudesse, longe dos falatórios, numa tentativa de harmonia com a natureza e a reorganização celular.


Quinta-feira, Maio 14, 2009

Sem flagelos



O nordestino sempre foi conhecido como flagelado. A palavra ainda é repetida na TV do sudeste do País, agora por causa das enchentes. O termo significa flagelo, sofrimento. Mais conhecidos como sedentos, agora somos os alagados. O tratamento mudou com relação à solidariedade?


Ser solidário com a dor é bem mais fácil do que olhar e ver pessoas iguais. Digo isso, porque os conhecidos retirantes, que ajudaram a construir os grandes centros, sempre foram vistos dessa forma. É o olhar vesgo de uma realidade que pode atingir a qualquer um.


Diferenças físicas territoriais são bem fragéis diante da necessidade vital de harmonia, que a humanidade precisa acreditar que existe. Está meio perdida diante de tantos equívocos que promovemos. Mas, existe.


Terça-feira, Maio 12, 2009

Flagrantes




Diz o evangelho que não "podemos chamar de nosso, o que outro pode tirar sem a nossa permissão". Ou seja, tudo o quanto é material. O que se conquista fica conosco, são ganhos de uma vivência contínua.




Fiquei cismando o pensar depois de ouvir de um colega de trabalho, um emocionado depoimento de um dos desabrigados do nosso Ceará. Móveis, TV e geladeira, a gente compra. Mas, as fotos dos meus filhos foram com as águas. Está tudo perdido.




Lembro que cheguei a rasgar fotos em momentos de frustração. Fragmentava momentos únicos. Hoje, guardo até aquelas que me constrangem. São pedaços da minha longa trajetória: risos, caras e bocas; abraços; beijos e, sobretudo, um tempo inigualável.




Segunda-feira, Maio 11, 2009

O dia seguinte...


...de todas mães é uma rotina normal. Ou seja, um misto de muito trabalho e prazer. No início, o medo da dor do parto; os cuidados com a saúde do bebê. Desde cedo, a mãe é um grande condomínio. Ali, dentro de si, um ser cresce, mexe e acorda cedo, numa estirada de perna que afasta as costelas. Muitos deles, preferem a costela direita.


Depois as noites em vigília. Ser mãe é esquecer que dorme! São horas intensas de baladas de choro, mamilos inchados... Olhos de mãe, quem olha pra eles? Vivem marejados: de preocupação, de emoção...


Eu fiz o curso intensivo de amar três vezes. E não abro mão disso. Pequenos são os nossos bebês; grandinhos, pessoas que precisam conhecer com rapidez para poder acompanhá-los; adultos, companheiros.

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Chuva na Cidade



Fortaleza está molhada, praças mais verdes, resistindo ao vandalismo. A chuva não causa transtorno. Inunda a vida. As águas em abundância rasgam as ruas, invadem os lixões, assustam os homens, inclusive os que sujam.


Costumo fazer limpezas na bolsa quase que diariamente. Dali retiro papéis de anotações os quais levo para reciclagem no trabalho; e de alguns bombons e balas, que me nego insistentemente de jogar fora.


Não sou a cidadã que a cidade merece, sorridente vizinha de calçadas pelo medo de me expor, contudo, tenho consciência de que o lixo amontoado não saiu da minha casa.


A Fortaleza que me viu nascer cresceu mais rápido do que eu. É um mundo de ruas, ruelas e becos. Falo da periferia visitada ontem à tarde. O que poderia ser um passeio agradável, foi um desafio desviar dos buracos, do lixo, e das pessoas que não tem calçadas para trafegar.


Eu gosto da periferia porque a gente vê os rostos das crianças, das mães avisando sobre o perigo dos carros, bem diferente dos bairros onde residem os que têm salários melhores, que apenas nos oferecem muros altos e cercas elétricas.

Segunda-feira, Abril 27, 2009

Ora, bolas!


Ora bolas, deixem-me envelhecer em paz! O desabafo alimentado por uma tremenda dor de cabeça -causada por uma virose somada a uma sinusite- foi dado enquanto lia e-mail insistindo para que mantivesse o corpo em forma. O texto sugeria ginástica diária, não sei quantos exercícios. Mais adiante, emagrecer, endurecer, fortalecer e outros "er".


Quer dizer que beirando os 60 anos ainda tenho que continuar sendo a mulher maravilha, imitação das artistas, que ainda acham que precisam ser lindas aos 70 com cara de 20? Ora, bolas!


Eu quero curtir os meus 54 anos, com a soma de todas as minhas vivências. Com o prazer de ouvir os meus netinhos chamando-me vovó, sem me sentir como uma velha acabada. Eu sou tão ocupada para estar gastando a energia que ainda tenho com bobagens.


Aos 20 anos, fiz o que se faz aos 20; aos 30 anos, curti o amadurecimento e fiz companhias a muitas lutas por ideais, agora mais direcionados. E assim fui aos 40 anos. Agora, com licença, eu vou ser cinquentona com muito gosto.

Quinta-feira, Abril 23, 2009

Choro para adolescentes


Ouvi de um colega a declaração exacerbada de que a juventude de hoje sofre do mau gosto. E ele justificava sobre a questão musical e sobre a forma como dança. Realmente, o mau gosto é enorme. Mas, de onde vem o alimento disso tudo? Da mídia, obvio!


E faço mea culpa: a mídia que está aí também é feita por mim, mas não vou declinar a fala diante de tanta responsabilidade. Por isso, estamos resgatando na FM Assembleia a nossa MPB, apresentando o trabalho dos inúmeros músicos e compositores, além dos intérpretes formidáveis que temos.


A música é o convite para se fazer ouvir sempre. Hoje, no dia choro, vamos chorar por melhores opções.

Quarta-feira, Abril 22, 2009

Ação Divina e ação do homem


Terra molhada, ruas alagadas.

Nunca se viu tanto verde. As plantas não necessitam do homem. Elas crescem, florescem, frutificam até ele chegar.


No dia da Terra, no descobrimento do Brasil, muitas mãos lavadas e mentes nem tanto.

Quarta-feira, Abril 15, 2009

Inquietude



Estou voltando depois de uma ausência absolutamente justificável. Feriados não combinam com a minha rotina. Atrapalham o ritmo da vida: ocupo-me e sou ocupada por tantos afãs. Interessante, mas é preciso admitir que estou voltada para o trabalho.


Não consigo ficar quieta. Até quando me deito prazerosamente na minha rede branca com rosas pintadas, bem coloridas, tenho que ler ou gasto bateria do controle remoto. Ou seja, preciso estar ocupada para fazer sentido este viver nem sempre pacífico.


As vezes o pensar assalta-me com relação a uma possivel limitação cerebral - ou o tal do suíço que ameaça as mulheres com mais de 50 anos - como sobreviveria assim? Apesar de querer manter distância, o tal estrangeiro bem conhecido da intimidade alienada de muitas mulheres, é um sombra no final do túnel.

Terça-feira, Abril 07, 2009

Dia do jornalista



O dia do Jornalista é também dia da saúde. O que diria o jornalista fora do mercado, que desemprego faz mal à saúde? E o emprego, melhora a vida? Não sei não. Quando me perguntaram para que a minha filha, Érica, teria feito vestibular, respondi com segurança: comunicação social. Espanto da amiga do momento. Credo! Por que você deixou?

A minha companheira se referia ao salário. A gente que escreve todos os dias, que informa o tempo todo, que corre atrás do fato, que briga para segurar a opinião; que vibra quando fura outra mídia...

Lembro do primeiro salário de Érica. Mãeee que mixaria! - foi mais ou menos assim, considerando que não posso repetir por falta de memória de todas as palavras que ela falou. Isso, porque jornalista tem uma necessidade enorme de exprimir a opinião com todos os argumentos científicos possíveis...

Lembro ainda que sorri de leve - coisa dificil para mim porque gosto mesmo é da gargalhada rasgada - dizendo que tudo isso pode melhorar um dia. Quando Érica era pequena gostava mesmo era de furar com os dedinhos as carinhas de bichinhos que eu fazia dos bolos de encomenda para aniversários de crianças.

É, ser jornalista é sempre correr atrás também de um ganho extra. Afinal, qual jornalista vive sem extras?????

A propósito: A imagem acima é flagrante de uma cobertura que Érica fazia sobre uma festa para a terceira idade. A animação contagiante da participante envolveu a repórter.

Segunda-feira, Março 30, 2009

Secreto



A felicidade é um desejo cantado aos vários cantos do mundo. O caminho para chegar lá é uma jura secreta. Eis o mistério que abraço. Que encerro o desejo, o advir que foge no dia-a-dia maculado pela irritante tarefa de sobreviver na Capital com um curto capital.


É por isso que brado - e não faço mistério - a vontade de escapar das cobranças e dos cobradores. Dinheiro a gente paga. Gente não se paga com juros, mas com juras secretas.

Obrigada pela visita

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